24.6.04

Bem, primeiro gostaria de agradecer a todos os comentários. Voltarei a eles depois, inclusive porque, como já havia dito, ainda não acabei o assunto das cotas. Há várias vertentes a serem exploradas, e, agora que (FINALMENTE!!!!) estou de férias, terei tempo de postar com mais frequência.
Estou fazendo uma tentativa de incluir o link do blog do Fernando, que é muito bom e eu recomendo que todos dêem uma olhada. Não sei se vou ser bem sucedida, mas, de qualquer forma, outra coisa que devo fazer nas férias é tentar aprender sobre as ferramentas do blog, que realmente não são tão simples (pelo menos em inglês tem uns termos esquisitos).
Ah, para os que reclamaram de serem chamados de anônimos, também vou ver se dá para fazer algo em relação a isso.
Por enquanto é só.

15.6.04

Finalmente, o primeiro texto!

Hoje vou tentar falar um pouco sobre a questão das cotas. Sei que o Brasil tem muitos problemas e a educação, sem dúvida está entre os principais (se não for o principal). Mas não adianta tentar resolvê-los com medidas sem sentido e, que a longo prazo, só trarão mais preconceito e diferenças entre a população.

As cotas foram criadas para “ajudar a pagar uma dívida histórica com os negros”, mas não ajuda em nada, ao contrário, só propaga a idéia de que os negros só têm condições de ingressar numa instituição de ensino pública, com vestibular difícil, se tiverem facilidades, se forem avaliados separadamente dos brancos com condições financeiras melhores (ou não).

Agora, se eu fosse negra, eu não gostaria de entrar através das cotas, por várias razões: eu gostaria de entrar por méritos próprios, e não por causa da minha cor. Não quero ter um atestado de inferioridade em meu currículo escolar, certamente me sentiria mal. “Só passou por causa das cotas, senão não teria capacidade para entrar” - não gostaria de ter essa frase me perseguindo mesmo depois de sair da faculdade, durante uma entrevista de emprego. E as pessoas não devem se iludir, isso VAI acontecer, os cotistas sofrerão preconceito na hora de terem seu histórico avaliado.

Em relação às cotas para estudantes de colégios públicos, acho que a situação é ainda pior, porque negros, índios, pardos, e beneficiários das cotas raciais ainda podem ter tido um bom ensino e desbancar (com dificuldade) a idéia de que não teriam entrado. Mas os outros, com exceção de colégios como Militar, Pedro II (alguns), Caps, e raríssimos colégios que não são uma zona, dificilmente conseguiriam passar no vestibular de carreiras concorridas, como Medicina, Jornalismo ou Direito em faculdades públicas.

Acredito que o governo deva investir, a longo prazo, em melhorias no ensino de base. Os Ensinos Fundamental e Médio devem ser reformulados e seu programa seguido. Eles devem investir em professores, salários melhores, boas condições para os colégios, segurança. etc. E a curto prazo, por que não um pré-vestibular público, para alunos que sintam dificuldades na escola e tenham a necessidade de um acompanhamento maior? Poderiam ser abertos em alguns bairros da cidade, com professores coordenando o programa e com voluntários de várias faculdades, públicas ou não, dando aulas. Assim, os alunos seriam melhor preparados para o vestibular e poderiam ser avaliados em conjunto com os outros e não separados, como se fossem incapazes.

O aluno que entra pelas cotas, normalmente é aprovado com notas baixíssimas em comparação aos alunos de colégios particulares. Isso gera duas outras questões de igual importância: a primeira é que alunos não aprovados com notas maiores que cotistas aprovados continuarão entrando com recursos na justiça e continuarão ganhando, e com razão. Por si só isso já é uma dificuldade de manter o sistema. Em um ano que TODOS os alunos se unam e façam isso, praticamente não entrarão alunos pelas cotas. Com certeza será a maior confusão; a segunda é que esses alunos, sem preparo para o ensino universitário provavelmente não conseguirão acompanhar as aulas ou pelo menos não terão um aproveitamento como os alunos provenientes de colégios particulares. Assim, se sentirão excluídos e as taxas de abandono aumentarão.

Outro aspecto a ser abordado é o dos transportes. Não adianta fazer os estudantes de baixa renda passarem no vestibular, pois eles ainda continuarão sem dinheiro para pagar ônibus, barcas, etc. Aliás, mesmo os estudantes com renda razoável e até boa (incluindo estudantes de faculdades particulares) têm muita dificuldade de manter o gasto fixo de quase R$ 100,00 (em média) por mês só em transportes, sem contar livros (não dá para alugar todos da biblioteca). Ou seja, vários fatores influenciam para que o estudante consiga terminar seu curso.

Não adianta o governo querer “socar” os alunos nas universidades públicas se não pode dar estrutura para que eles estudem com tranqüilidade, sem interrupções. Há vários problemas em que o governo pode trabalhar antes de abrir frentes para que quaisquer tipos de estudantes ingressem em universidades.

Vou ficar por aqui, pois há várias outras coisas que tenho a dizer sobre esse assunto, mas o texto já está muito grande. Mas ainda há muito mais a dizer e vou fazê-lo, com certeza, aguardem.


Beijos,

Ana

8.6.04

Como estou perto de provas, não estou tendo muito tempo para escrever nada. Mas pretendo, em breve, dar início aos assuntos de que quero tratar. Provavelmente a questão das cotas será o primeiro assunto de que falarei.

Até +!

Ana