Infelizmente, devido à problemas com meu pc não tenho postado com a freqüência desejada. E eu que até comentei que nas férias escreveria mais, etc, etc... Bem, a culpa não foi minha.
Voltando ao assunto das cotas: todo mundo sabe que vestibular não mede conhecimentos. Aliás, o sistema de educação está errado desde a raiz. Não adianta me perguntar qual a solução que eu adotaria, pois não sei. Não tenho as respostas, apenas sei que o que está sendo aplicado atualmente está errado. Até me arrisco a sugestões, mas não mais do que isso.
Eu acho que provas são um tipo de avaliação cruel. Existem várias razões para se ir mal em uma prova e a culpa não ser, de maneira nenhuma, do aluno. Alguma pergunta pode estar mal formulada, ou haver algum problema de interpretação; a pessoa pode não estar se sentindo bem no dia, estar com dor de cabeça, barriga, cólica, enfim, isso pode atrapalhar na concentração; ou ainda, existem pessoas que ficam nervosas na hora de uma prova, sentem a pressão da nota ou têm dificuldade de expressar suas idéias no papel. Tudo isso influencia!
Agora, imagine quando essa prova serve para qualificar a pessoa ou não para entrar na faculdade de sua escolha, que pode significar um futuro profissional promissor, orgulho da família, um bom curso e quaisquer outros motivos que poderiam levar alguém a se preocupar com o vestibular. Nós já passamos por isso e sabemos como é. Eu mesma já me senti mal em uma prova, e sei que não há nada que se possa fazer, apenas esperar para ver se afetou a nota. Então, eu realmente não sou a favor de provas para medir o conhecimento das pessoas. Mas como não há outro sistema em vista, pelo menos as provas deveriam ocorrer aos poucos. Os colégios também deveriam ser avaliados, tanto os públicos como os particulares. Os programas curriculares deveriam ser seguidos com prazos, na ordem estipulada pelo governo.
Nem vou começar a falar de tudo que está errado no ensino público, nos professores mal pagos, nos colégios despencando, etc. Estou partindo do princípio de que haja alguma ordem, melhorias, e tudo mais. Um mínimo necessário para o sistema funcionar mesmo apenas de maneira razoável.
Acredito que um primeiro passo, no caso do Brasil, seria um acompanhamento escolar feito desde o primeiro ano do colegial. Uma prova padronizada que seria aplicada no mesmo dia em todos os colégios do país, como o SAT americano, só que sem as palhaçadas do conteúdo cobrado naquela prova. Seria como um pequeno vestibular, exigente, mas não exaustivo, que, aplicado duas vezes ao ano, teria alguma condição mais realista de conferir os conhecimentos dos estudantes brasileiros. Os resultados seriam acumulados até o final do terceiro ano, e as pessoas teriam seus resultados gerais na hora de se inscrever para a universidade de sua escolha, e assim, seriam escolhidos os melhores. Assim, as provas seriam mais direcionadas, já que seriam sobre o conteúdo estudado naquele semestre e não a loteria que é o vestibular atual, que envolve conteúdo estudado em três anos de vida acadêmica.
Agora, voltando realmente às cotas, já que eu meio que fugi delas...
Como dizia, não é porque a pessoa não passou no vestibular que pode ser considerada inapta a estudar em uma universidade, seja qual for. Assim, o que eu quis dizer não foi que um aluno que não conseguiria passar sem as cotas não vai conseguir acompanhar o curso, mas sim, que vários alunos que só entraram por causa das cotas não estão conseguindo acompanhar pela falta de conteúdo dada no colégio. Quis dizer, sim, que as cotas colocam na universidade estudantes sem condições de acompanhar os cursos escolhidos, mas não que nenhum cotista tem essa condição.
Afinal, não podemos esquecer que vários cursos universitários exigem conhecimentos prévios, ensinados no colégio. Por exemplo: eu curso jornalismo. Se eu sei bem política, história e geografia social, certamente vai me ajudar. Mas se eu não sou muito boa nisso, vou correr atrás e não vou ficar completamente perdida. A maioria das carreiras de humanas é assim. O curso se baseia em aprendizados da vida, de debates, de fatos que ocorrem no mundo, na mídia, etc. Não necessariamente em conteúdos didáticos. Mas se você entra em uma faculdade de química ou engenharia, ou física, provavelmente vai ser importante se você já trabalhar bem com alguns dados aprendidos no colegial. E se você não tiver aprendido a base da base, vai ser mais difícil de recuperar.
É basicamente disso que estou falando. As turmas ficam muito desequilibradas e os alunos, sim, sofrem preconceito. Por serem os atrasados, e não pegarem a matéria com a mesma velocidade dos outros, que foram melhor preparados. Não estou dizendo que com todos é assim, mas com alguns, na verdade com muitos.
Os outros pontos abordados por vocês eu comento melhor depois. Realmente não pretendo ficar mais um mês sem postar.
Beijos para todos,
Ana
16.7.04
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