28.3.08

O Português e a Mídia

Não, não é piada de português... Hoje recebi um email falando sobre uma reforma ortográfica que será realizada na língua portuguesa. Foi a primeira vez que li algo sobre o assunto. Lembro-me da época em que havia história e estória. Até hoje tenho a impressão de que a segunda foi abolida por muitas pessoas não saberem empregá-la. Outra questão que há muito se discute é a da manutenção do trema. Pois é, ele já era. Assim como acentos e hífens em algumas situações. Parece que o Brasil terá apenas poucas mudanças em sua gramática e Portugal será o país mais afetado. A intenção é unificar o idioma. Mesmo assim, vai ser estranho não usar acento em idéia e crêem, dois exemplos que me vêm à cabeça agora.

Enfim, este post não é para abordar a reforma em si (mesmo assim, você pode conferir abaixo as mudanças), mas para comentar uma coisa interessante: por que será que não havia saído NADA sobre isso até agora?? Vejam bem, essas modificações não estão sendo preparadas, para entrar em vigor daqui a sei lá quantos anos. Elas serão adotadas oficialmente dia 1° de janeiro de 2009 e devem começar a ser utilizadas não-oficialmente antes disso. É muito estranho ninguém ter publicado nada, quer dizer, pelo menos eu não tinha lido sobre a proposta até esta manhã, assim como a maioria das pessoas com quem falei sobre o assunto. Conversando com um amigo que, de fato tinha conhecimento da reforma (talvez por ser estudante de Letras...), ele comentou sobre a falta de iniciativa da mídia em divulgar informações educacionais ao povão. É, pode ser. Mas penso que é algo muito pior. Na minha opinião, os meios de comunicação não se deram ao trabalho de elaborar matérias sobre tal tema pelo simples fato de pensar que não seriam procuradas. "Não vende".

Para ter uma idéia do que estou falando, é só conferir as matérias mais lidas de sites como Globo.com, Terra, UOL, etc. Na maioria das vezes são bobagens sobre celebridades e/ou futebol (não que este seja bobagem, mas é entretenimento, de certa forma). Aliás, fiquei tão satisfeita hoje quando liguei meu pc e pela primeira vez em três meses a primeira notícia (aquela chamada enorme, de destaque) da Globo.com NÃO era sobre BBB. Faz até a gente pensar que vive num mundo livre desta praga miserável. No entanto, infelizmente sou obrigada a me conformar com o fato de que a praga, ah, essa sim, vende. E vende muito.

Mas como começou a vender? Este é o problema. Os meios de comunicação têm grande parte da culpa no processo de idiotização das pessoas. Porque são eles que dão destaque para as matérias inúteis. Algum dia, algum editor decidiu que BBB tomaria o lugar de uma notícia sobre saúde, política, educação, ou semelhante. E o Big Brother não é a única ruína do mundo, antes dele vieram outros realitys e antes disso, bem, antes disso a internet ainda nem era tão popular assim, certo? Ao menos no Brasil. Mas a questão é que em um dado momento futilidades passaram a ser empurradas, aos poucos, para que as pessoas fossem se acostumando e hoje são notícias principais. E a Mulher Melancia vira capa da revista de domingo! Créééééuuuu! Na gente, né? Nas pessoas que esperam um pouco mais de seu jornal e da informação que recebem também através da internet.

A propósito, o email deve ter se espalhado e chegado às redações, já que vi agora, há uns cinco minutos, no cantinho da página da Globo.com (obviamente sem metade da importância devida), uma chamadinha sobre a reforma gramatical. Eles devem ter se convencido que, com o email correndo por aí, não dar a informação ia pegar mal...

Agora vamos às mudanças:

-O alfabeto passa a ter 26 letras, incluindo K, W e Y;
-O trema será extinto, existindo apenas em nomes próprios, como Müller;
-Acento agudo não será mais usado:
1) Em ditongos abertos, como eu comentei acima em idéia ou jibóia;
2) Em 'U' tônico, depois de 'Q' e 'G', como apazigúe (este até que ficou melhor...);
3) Em paroxítonas com 'I' e 'U' tônicos precedidos de ditongos. Ex: feiúra, viúva;
-O circunflexo desaparece em palavras com dois 'O' ou 'E', como em crêem ou vôo;
-Palavras que levavam acento de diferenciação, como pára/para ou pêlo/pelo perderão o mesmo (que bagunça vai ser, hein?);
-O Hífen será retirado de palavras:
1) Cuja segunda parte começar com 'S' ou 'R': anti-semita e contra-regra viram antissemita e contrarregra (feio, não?). A exceção será quando a primeira parte da expressão terminar com 'R', como em hiper-realista;
2) Cuja primeira parte terminar em vogal e a segunda começar com vogal diferente. Ex: auto-escola fica autoescola.

BTW, para quem ficou em dúvida, história, com h era usada para falar de história do Brasil, fatos oficiais, contados em livros, enfim, objetos de estudo. Já estória era utilizada para contar algo pessoal, casual. Lembrou?

Sem link, hoje já tá tudo aqui mastigadinho ;)

23.3.08

Domingo de Páscoa

Domingo de Páscoa, dia de almoçar com a família e comer chocolate até não agüentar mais. Mas não é só isso. Ao menos, não deveria ser. Qual é o verdadeiro significado da Páscoa?

Bem, todos os católicos sabem (ou pelo menos têm uma idéia) que a Sexta-feira da Paixão representa o dia da morte de Jesus Cristo e que o Domingo de Páscoa é quando ocorre sua ressurreição. Mas vocês sabiam que todos os feriados religiosos móveis, como Carnaval e Corpus Christi são definidos através desse domingo? É verdade. Para quem nunca soube dizer por que estas três datas sempre ocorrem em diferentes dias e até em meses, aí vai a explicação:

De acordo com o calendário hebraico, adaptado para os nossos dias, o Domingo de Páscoa deve vir logo após a primeira lua cheia a partir de 21 de março. Deste modo, a terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa e o Corpo de Cristo é celebrado 60 dias depois dela.

Viu? Agora já dá para calcular essas datas do ano que vem. Tá, alguns podem considerar essas informações inúteis, mas eu sempre me perguntei como o calendário era definido e por que havia tantas variações.

E o coelhinho? De onde ele surgiu?

Pelo fato de se reproduzir várias vezes durante a vida, e, normalmente, gerando muitos filhotes, este animal representa a renovação, uma nova vida. Assim, ele é associado à ressurreição de Cristo. Porém, não é apenas este o significado do orelhudo para esta data. Alguns povos da Antigüidade associavam o coelho à Lua. Desta forma, pode ser que o fato de Lua determinar a Páscoa tenha transformado o simpático animalzinho em símbolo da data.

Agora, sobre o chocolate, terei que pesquisar mais um pouco, mas quando descobrir eu conto.

Enquanto isso, aproveitem a família, o descanso e os deliciosos ovinhos.

Boa Páscoa!

21.3.08

Sobre a dengue

Em tempos de dengue assombrosa e desembestada, governantes abobalhados e população tentando fazer o que pode para se proteger, achei fantástico o depoimento emocionado - mas ao mesmo tempo, muito racional - do jornalista Nelito Fernandes, da revista Época, sobre o falecimento de seu próprio pai. Do texto, que reproduzo na íntegra abaixo, o mais importante é a conscientização. A verdade é que discutimos (e eu me incluo neste plural) a dengue com certa distância, frieza. É como se fossem apenas números e não pessoas descritas naquelas mortes.

A situação é triste, é real e não pode continuar assim.

Segue o texto abaixo:

A culpa é mesmo nossa
Nelito Fernandes

Meu pai morreu de dengue. Ele tinha 66 anos, conseguiu a proeza de chegar vivo até a aposentadoria, mesmo sendo policial civil no Rio de Janeiro. Meu pai começou a trabalhar com 9 anos de idade e já sobrevivera a dois aneurismas cerebrais e a quatro tiros. Apesar da vida castigada, era um homem forte, de ombros largos. Morreu no início do mês por causa de um mosquito que mede 5 milímetros. Além de debater quem é responsável pelo combate ao Aedes, as autoridades discutem se há ou não uma epidemia, mesmo depois de 47 mortes e 32 mil casos da doença.

A cada hora, mais 50 pessoas são infectadas. Foram 1.233 casos novos apenas na última quinta-feira. Para quem espera pela vez de ser atendido na emergência de um hospital público, não resta dúvida: é uma epidemia. No cemitério de Irajá, onde meu pai foi enterrado no dia 4, um cartaz reproduz uma portaria da Secretaria Municipal de Saúde informando que determinadas flores são proibidas nas sepulturas por causa da alta incidência de dengue. A determinação é de 1998. Dez anos depois, o mosquito continua aí. É coisa nossa, está incorporado à paisagem. Todo verão ele chega, faz seu estrago. Até que a gente esqueça – e no ano que vem está aí de novo. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já disse que a culpa é da população, que não toma os cuidados necessários. No país, o número de casos registrados caiu 40% neste ano. No Rio, houve aumento de 117%.

Se o raciocínio do ministro estiver certo, o povo no Rio de Janeiro deve ser pior que no resto do país. Se estiver errado, talvez nossas autoridades sejam mais incompetentes que as dos outros. Durante a semana, elas se esforçaram para nos dar uma pista do que está acontecendo. O prefeito Cesar Maia disse que o pior já passou e que, nos hospitais do Estado, morrem mais pessoas porque os profissionais de saúde são despreparados. O governador Sérgio Cabral não pôde dar sua contribuição ao debate porque, no auge da crise, visitava a Coréia. Temporão montou um “gabinete” para combater a doença.

A dengue foi descoberta no fim do século XVIII na Ilha de Java, na Ásia. Estava erradicada no Brasil desde 1957. Em 2002, voltou com força e matou 91 pessoas no Rio. Para se reproduzir, o mosquito precisa de água parada – e autoridades idem. Quase metade das vítimas são crianças e adolescentes até 15 anos. Agora, me preocupo com minha filha e com meus enteados, todos pequenos. Já passamos a usar repelentes durante todo o dia. Confesso que, até a morte de meu pai, eu acompanhava o noticiário da dengue sem grande interesse. Morreu mais um hoje, amanhã morre outro. Ver a certidão de óbito dele, que tem exatamente o mesmo nome incomum que eu, foi como ler minha certidão. Sim, poderia ser eu. Poderia ser você. Até que aconteça com um dos nossos, pensamos pouco nisso, um antídoto para não vivermos com medo.

A gente vai se acostumando, perde a capacidade de se indignar. Também não me indignei quando minha família foi informada que era melhor ir embora da capela às 22 horas e deixar o corpo lá sozinho, porque os assaltos são comuns no cemitério e “temos de tomar cuidado é com os vivos”. Foi o que fizemos. Se fôssemos assaltados, certamente apareceria alguma autoridade para dizer o seguinte: “A culpa é de vocês, todo mundo sabe que ali é perigoso”. No fundo, eles têm razão. A culpa é mesmo nossa. Nós os pusemos lá.

17.3.08

Os livros que não li

Outro dia, lendo um encarte com os livros mais vendidos em uma livraria, vi um título que me chamou a atenção: "Como falar dos livros que não lemos". Juro que, inicialmente, quase comprei um exemplar. Imaginei que deveria conter resumos de obras clássicas e contemporâneas, que eu certamente gostaria de ler, ou pelo menos, saber do que se tratam além da obviedade do título. Por sinal, é bem fácil escorregar em uma conversa sobre volumes literários baseando-se apenas em sua denominação, já que muitas vezes ela é totalmente subjetiva e o conteúdo não poderia ser mais distante de sua aparência.

Assim, folheando o dito cujo, já me encaminhava para o caixa, pensando ter somente a ganhar com a compra. Foi quando parei em frente a "Reparação", de Ian McEwan, que há muito penso em ler e parece ser o tipo de romance que me agradaria. Neste momento, foi como se um raio me atingisse. Aquilo não fazia nenhum sentido! Comprar um livro para me ensinar a falar sobre outros rapidamente tornou-se uma incoerência absurda. E as razões se enumeraram para me convencer na mesma velocidade em que alcancei a prateleira de onde havia tirado o engodo:

1° Vou gastar dinheiro desnecessariamente. Provavelmente o que gastaria em um livro de verdade (bem, não que esse seja de mentira, mas, bem, vocês entenderam o que quero dizer...);

2° Vou ler apenas pequenas resenhas, se tanto. Pode ser ótimo para quem despreza a leitura e pretende impressionar outrem, mas no meu caso, apenas me roubaria o prazer de conhecer algo novo: um mundo, um personagem, uma teoria, um conselho...;

3° E principal, vou perder tempo lendo! O precioso tempo que poderia empregar na leitura de uma obra real e poder falar sobre ela o quanto eu quiser, nos mais íntimos detalhes. Falar bem, falar mal, criticar os personagens ou até permitir que se torne meu mais novo livro de cabeceira, aquele do qual citamos diálogos de cor e que nos cativa todos os dias.

Longe de mim querer tirar o crédito da edição que acabei não comprando. Tenho certeza que traz dicas muito interessantes e talvez seja até divertida. Mas sair da livraria na companhia de Ian McEwan me fez sorrir e ter a certeza de que tomara a decisão certa. Agora mesmo "Reparação" me aguarda. Com todos os seus pormenores.

10.3.08

Direto do Globo.com



"Há três meses desempregada, uma mulher tomou uma atitude desesperada para tentar conseguir emprego. Marizélia Santos Marinho, de 32 anos, pendurou uma placa no pescoço com um a frase: "SOS - procura-se emprego" e foi para as ruas de Salvador. Ela carrega uma pasta com currículos para distribuir aos interessados. O último emprego dela foi como balconista de uma peixaria, Até agora, a mulher recebeu dois contatos, mas não conseguiu os empregos (Foto: Eduardo Martins/Agência A Tarde/AE)"

Gentem, acho que vou fazer isso também!!!

Será que dá certo??

Ah, mas brincadeiras a parte, super louvável da parte dela. Na hora do desespero, valem até métodos, digamos, mais alternativos. E criatividade ela provou que tem de sobra.

Boa sorte!

3.3.08

How cute is that?!?

Estou em manutenção... Eu mesma, não o blog!

Então, enquanto isso, dêem uma olhada nessa matéria exibida hoje no Fantástico.
Soooo sweet! Quero um para mim!




Link no título, as usual.

:)