Hoje vou tentar falar um pouco sobre a questão das cotas. Sei que o Brasil tem muitos problemas e a educação, sem dúvida está entre os principais (se não for o principal). Mas não adianta tentar resolvê-los com medidas sem sentido e, que a longo prazo, só trarão mais preconceito e diferenças entre a população.
As cotas foram criadas para “ajudar a pagar uma dívida histórica com os negros”, mas não ajuda em nada, ao contrário, só propaga a idéia de que os negros só têm condições de ingressar numa instituição de ensino pública, com vestibular difícil, se tiverem facilidades, se forem avaliados separadamente dos brancos com condições financeiras melhores (ou não).
Agora, se eu fosse negra, eu não gostaria de entrar através das cotas, por várias razões: eu gostaria de entrar por méritos próprios, e não por causa da minha cor. Não quero ter um atestado de inferioridade em meu currículo escolar, certamente me sentiria mal. “Só passou por causa das cotas, senão não teria capacidade para entrar” - não gostaria de ter essa frase me perseguindo mesmo depois de sair da faculdade, durante uma entrevista de emprego. E as pessoas não devem se iludir, isso VAI acontecer, os cotistas sofrerão preconceito na hora de terem seu histórico avaliado.
Em relação às cotas para estudantes de colégios públicos, acho que a situação é ainda pior, porque negros, índios, pardos, e beneficiários das cotas raciais ainda podem ter tido um bom ensino e desbancar (com dificuldade) a idéia de que não teriam entrado. Mas os outros, com exceção de colégios como Militar, Pedro II (alguns), Caps, e raríssimos colégios que não são uma zona, dificilmente conseguiriam passar no vestibular de carreiras concorridas, como Medicina, Jornalismo ou Direito em faculdades públicas.
Acredito que o governo deva investir, a longo prazo, em melhorias no ensino de base. Os Ensinos Fundamental e Médio devem ser reformulados e seu programa seguido. Eles devem investir em professores, salários melhores, boas condições para os colégios, segurança. etc. E a curto prazo, por que não um pré-vestibular público, para alunos que sintam dificuldades na escola e tenham a necessidade de um acompanhamento maior? Poderiam ser abertos em alguns bairros da cidade, com professores coordenando o programa e com voluntários de várias faculdades, públicas ou não, dando aulas. Assim, os alunos seriam melhor preparados para o vestibular e poderiam ser avaliados em conjunto com os outros e não separados, como se fossem incapazes.
O aluno que entra pelas cotas, normalmente é aprovado com notas baixíssimas em comparação aos alunos de colégios particulares. Isso gera duas outras questões de igual importância: a primeira é que alunos não aprovados com notas maiores que cotistas aprovados continuarão entrando com recursos na justiça e continuarão ganhando, e com razão. Por si só isso já é uma dificuldade de manter o sistema. Em um ano que TODOS os alunos se unam e façam isso, praticamente não entrarão alunos pelas cotas. Com certeza será a maior confusão; a segunda é que esses alunos, sem preparo para o ensino universitário provavelmente não conseguirão acompanhar as aulas ou pelo menos não terão um aproveitamento como os alunos provenientes de colégios particulares. Assim, se sentirão excluídos e as taxas de abandono aumentarão.
Outro aspecto a ser abordado é o dos transportes. Não adianta fazer os estudantes de baixa renda passarem no vestibular, pois eles ainda continuarão sem dinheiro para pagar ônibus, barcas, etc. Aliás, mesmo os estudantes com renda razoável e até boa (incluindo estudantes de faculdades particulares) têm muita dificuldade de manter o gasto fixo de quase R$ 100,00 (em média) por mês só em transportes, sem contar livros (não dá para alugar todos da biblioteca). Ou seja, vários fatores influenciam para que o estudante consiga terminar seu curso.
Não adianta o governo querer “socar” os alunos nas universidades públicas se não pode dar estrutura para que eles estudem com tranqüilidade, sem interrupções. Há vários problemas em que o governo pode trabalhar antes de abrir frentes para que quaisquer tipos de estudantes ingressem em universidades.
Vou ficar por aqui, pois há várias outras coisas que tenho a dizer sobre esse assunto, mas o texto já está muito grande. Mas ainda há muito mais a dizer e vou fazê-lo, com certeza, aguardem.
Beijos,
Ana
15.6.04
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3 comentários:
Amor, gostei mutio do texto q escreveu. Só acho q os aspectos dos transportes e dos livros abordados por vc ficaram meio confusos. Vc acha q o fato de não poderem acompanhar financeiramente o curso como fazem os alunos financeiramente bem amparados fazem dos cotistas impossibilitados de cursar a faculdade? Acho q deveria ser colocado como um problema da instituição e, consequentemente, do Estado.
Adorei mesmo! Espero mais "elocubrações" suas em breve!!! beijos, André
Anonymous é o cacete! Eu sou Fernando!
Ana, ficou bom o texto, apesar de eu concordar com o que o André disse. E além disso, não creio que um estudante que não teria passado sem as cotas não terá condições de acompanhar o curso. Não podemos nos esquecer que o problema do vestibular é a imensa falta de vagas. Por exemplo, você e o André não passaram para uma Universidade pública e eu não tenho a menor dúvida de que vocês tem plena capacidade de cursar qualquer carreira. As cotas são realmente muito polêmicas. Eu ainda não sou a favor, mas mudei bastante o teor da minha crítica.
continue escrevendo
beijo
Fernando
poxa...q vacilo...esse blogspot fica tratando as pessaos como indigentes...Anonymous é o escambau!!!me chamo evandro!!!heheheheheh
concordo com vc sobre o sistema d cotas...não acho q ele seja a solução dá edução brasileira...d q adianta tacar as pessoas na faculdade c elas num tiveram uma boa base educacional!?!?!
mas devo confessar q fikei um pouco decepcionado com seu blog =( Qd li o título sugestivo(presença d aninha)pensei q(pra meu deleite heheheh) encontaria algum conteúdo pornografico aki, mas tudo q eu vi foi um texto "cabeça"! hahahahahahahahahaha
bjinhus!
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