17.3.08

Os livros que não li

Outro dia, lendo um encarte com os livros mais vendidos em uma livraria, vi um título que me chamou a atenção: "Como falar dos livros que não lemos". Juro que, inicialmente, quase comprei um exemplar. Imaginei que deveria conter resumos de obras clássicas e contemporâneas, que eu certamente gostaria de ler, ou pelo menos, saber do que se tratam além da obviedade do título. Por sinal, é bem fácil escorregar em uma conversa sobre volumes literários baseando-se apenas em sua denominação, já que muitas vezes ela é totalmente subjetiva e o conteúdo não poderia ser mais distante de sua aparência.

Assim, folheando o dito cujo, já me encaminhava para o caixa, pensando ter somente a ganhar com a compra. Foi quando parei em frente a "Reparação", de Ian McEwan, que há muito penso em ler e parece ser o tipo de romance que me agradaria. Neste momento, foi como se um raio me atingisse. Aquilo não fazia nenhum sentido! Comprar um livro para me ensinar a falar sobre outros rapidamente tornou-se uma incoerência absurda. E as razões se enumeraram para me convencer na mesma velocidade em que alcancei a prateleira de onde havia tirado o engodo:

1° Vou gastar dinheiro desnecessariamente. Provavelmente o que gastaria em um livro de verdade (bem, não que esse seja de mentira, mas, bem, vocês entenderam o que quero dizer...);

2° Vou ler apenas pequenas resenhas, se tanto. Pode ser ótimo para quem despreza a leitura e pretende impressionar outrem, mas no meu caso, apenas me roubaria o prazer de conhecer algo novo: um mundo, um personagem, uma teoria, um conselho...;

3° E principal, vou perder tempo lendo! O precioso tempo que poderia empregar na leitura de uma obra real e poder falar sobre ela o quanto eu quiser, nos mais íntimos detalhes. Falar bem, falar mal, criticar os personagens ou até permitir que se torne meu mais novo livro de cabeceira, aquele do qual citamos diálogos de cor e que nos cativa todos os dias.

Longe de mim querer tirar o crédito da edição que acabei não comprando. Tenho certeza que traz dicas muito interessantes e talvez seja até divertida. Mas sair da livraria na companhia de Ian McEwan me fez sorrir e ter a certeza de que tomara a decisão certa. Agora mesmo "Reparação" me aguarda. Com todos os seus pormenores.

4 comentários:

Ulisses Adirt disse...

Pareceu mesmo uma boa decisão... eu faria o mesmo.

Rafael Rodrigues disse...

Na verdade, "Como falar dos livros que não lemos?" não é uma coletânea de resenhas ou resumos de obras. É um ensaio sobre a ânsia do homem moderno em ler tudo, saber de tudo e, às vezes, sem poder fazer isso (ler tudo e saber de tudo) acaba justamente se valendo de resumos e resenhas para mostrar conhecimento de obras que, na verdade, nunca leu. Inclusive, eu tenho o livro, mas não o li, só folheei. E, ainda assim, o recomendo. Mas, realmente, "Reparação" foi uma escolha bem melhor, apesar de eu também tê-lo e não tê-lo lido ainda. Abraço!

Jaded disse...

vc devia ter comprado o livro! le fala exatamente sobre essa ansiedade em ler tudo e nunca ler nada!

Dourado disse...

Bem q seu post poderia estar no livro q vc não leu!

Capisce?